O Objetivo deste tópico é apresentar o livro "Disfunções Temporomandibulares: esclarecendo a confusão", de minha autoria, e manter uma discussão permanente sobre o seu conteúdo.
O livro em si é produto de um investimento um tanto quanto solitário, uma vez que que tem origem em uma iniciativa individual, apesar de uma série de incentivos que recebi ao longo do caminho.
A idéia de produzi-lo se deu durante e após uma série de palestras internacionais na área de Disfunções Temporomandibulares que promovemos, eu e o colega Antônio José Garcia Palma, como organizadores locais em Cuiabá-MT, junto com a iniciativa inestimável do prof. Antônio Sérgio Guimarães, da Unifesp/SP e SLMandic/Campinas, que era quem trazia/traz professores estrangeiros para o Brasil com certa freqüência.
Em um destes cursos, em função de nosso relacionamento pessoal (a minha formação na área de DTM e Dor Orofacial se deu quase que integralmente na Unifesp), firmamos parceria para estender a vinda destes professores a Cuiabá (usando o Pantanal, Chapada dos Guimarães e Nobres como argumentos convincentes e “não científicos”).
Desta forma, em dois anos alternados, estiveram em Cuiabá Antoon de Laat, Barry Sessle, Bengt Wennenberg, Gunnar Carlsson, Jay P. Shah, Marti Helkimo, Tomas Magnusson e Sandro Palla, além de vários membros da equipe da Unifesp e o próprio Antônio Sérgio Guimarães, que ora comparecia para traduzir as palestras, ora para ministrá-las.
Minha participação nessas ocasiões era muito variada: ministrei algumas aulas, traduzia a palestra quando o Prof. Antônio Sérgio não vinha com os professores estrangeiros, e quando ele os acompanhava, se encarregava da tradução enquanto eu ficava nos bastidores. Por estranho que possa parecer, esta última era a experiência mais rica, já que, da platéia e nos intervalos, podia conversar com os alunos, colher impressões, “sentir” as dúvidas, etc. Tudo que você não consegue com facilidade quando está ministrando a palestra.
Comecei a observar então uma distância muito grande entre o que o professor falava e o que os alunos estavam preparados a entender, não por limitações intelectuais destes últimos, obviamente, mas por deficiências na sua formação do ponto de vista científico.
A partir daí comecei a estudar e produzir material didático que procurasse facilitar a transferência científica do ambiente acadêmico, de pesquisa, para o consultório do clínico geral e que auxiliasse no despertar do senso crítico do profissional em relação a tantas opções (umas adequadas, outras equivocadas, porém ingênuas, outras próximas do charlatanismo, etc) e teorias diferentes para se explicar ou tratar as DTMs. Do acúmulo deste material nasceu o livro.
Para cumprir o objetivo, me propus algumas diretrizes:
1) O livro deveria ter um conteúdo diferente dos que estão no mercado. Não se quer afirmar aqui que estes sejam “ruins”, muito ao contrário: simplesmente não teria sentido que eu escrevesse, por exemplo, sobre “vias de dor”, “fisiopatologia da dor muscular”, “mecanismos de cronificação da dor”, quando existem tantos excelentes textos disponíveis, de autoria de cientistas/professores “de ponta”, que mais do que “escrever sobre”, são os que produzem o conhecimento sobre estes assuntos (aqui um exemplo ).
Desta forma, a intenção foi produzir um conteúdo que permite melhor compreender a obra dos outros autores, entender a razão de tantas abordagens diferentes para casos idênticos de DTM, separar a boa da má informação, e avaliar, com conhecimento de causa, quando um livro, palestra ou curso, tem base em ciência ou em “achismos” do ministrador/autor, ou seja, aguçar o senso crítico do leitor.
2) O livro deveria ser fácil e agradável de ler.
Optei, portanto, por uma linguagem informal, quase como “uma conversa” com o leitor, sem deixar de lado o rigor na qualidade científica das informações, o que pode ser conferido nas inúmeras citações bibliográficas. Procurei escrevê-lo de forma que a leitura pudesse ser prazerosa, agradável, como se lê um livro qualquer, não-técnico. Neste sentido, é concebido mais para ser “lido” do que “estudado” ou “ consultado”. Acrescentei ainda uma série de ilustrações como “cartoons” e histórias em quadrinhos. Além disso, não é uma "Bíblia", é relativamente pequeno, e acredito que possa realmente ser lido na íntegra.
Se o objetivo foi alcançado, os leitores me dirão. Abaixo, um quadro com o conteúdo por capítulo e uma cópia da capa. O lançamento oficial foi no XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Cefaléias/ VI Congresso de Dor orofacial, em SP, no dia 15/09/2011.
Aos interessados em adquiri-lo, já está disponível pelo website da Editora ( clique aqui para acessar) ou em diversas livrarias. Outra forma é através da Silvia Abuchain, secretária do Instituto da Cabeça da Unifesp que realiza as vendas, através do contato com uma livraria. Ela é de absoluta confiança, e pode ser contatada pelo email silvia.morf@unifesp.epm.br.
Abraço a todos e boa leitura.
Tags: Dicas de Livros
Permalink Responder até Marcel cortes Bonifácio em 19 setembro 2011 at 18:41
Permalink Responder até MARCIO JOSE ALBANI em 20 setembro 2011 at 7:47
Prezado DR. Reynaldo , estou ancioso para adquirir o livro, inclusive entrei em contato com a Silvia Buchaim que ficou de me conseguir o livro.
Abraço
Márcio
Permalink Responder até Reynaldo em 20 setembro 2011 at 9:16
O livro saiu no catálogo da editora, ao preço de R$ 90,00 (mais barato que no congresso...):
http://www.grupogen.com.br/ch/prod/vit/10505/216544/0/0/disfuncoes-...
Permalink Responder até Ricardo Ferreira de Paula em 20 setembro 2011 at 10:36
Posso linkar e reproduzir alguma coisa no blog?
http://www.ricardodentista.com.br/2011/09/livros-duas-indicacoes.html
Permalink Responder até Juliana Stuginski Barbosa em 22 setembro 2011 at 11:28
Este livro é excelente!!! Algumas frases já pincei para colocar nas aulas!!!
E o congresso de Dor Orofacial da SBCe sempre é uma festa!! :-)
Reynaldo
Sem dúvida, um dos livros mais agradáveis e bem elaborados que li nos últimos tempos!!! Estou recomendando a todos os nossos alunos, especialmente os de Ortodontia. Parabéns!
Permalink Responder até Reynaldo em 26 setembro 2011 at 15:47
Oi João...obrigado...a intenção foi fazer algo agradável mesmo...na maioria dos que assinei dedicatória escrevi algo como "que a leitura seja agradável " "prazeroza", "divertida", ou algo do gênero. Sempre gostei de ler os textos de revistas do tipo "Galileu", "Superinteressante", por exemplo, e isso me deu vontade de escrever algo com uma linguagem simples e agradável mantendo o fundamento científico. Algo para ser "lido", não "estudado".
Mais uma vez, obrigado pelo incentivo, fico satisfeito de ter gostado.
Abç
Bomba, bomba... a Silvia, livreira da UNIFESP, está fazendo uma promoção durante o SIMBIDOR do livro do reynaldo por (acho) 77 pratas!!! aproveitem!!!
Vamos incentivar os novos autores!!!
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